O QUE ERA O ESPINHO NA CARNE DE PAULO?

 
E para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo" (2 Coríntios 12:7-9).

Espinho significa farpa, estaca ou algo pontiagudo. Aqui pode ser uma alusão a inimigos, como em Números 33:55, Mas se não lançardes fora os moradores da terra de diante de vós, então os que deixardes ficar vos serão por espinhos nos vossos olhos, e por aguilhões nas vossas virilhas, e apertar-vos-ão na terra em que habitardes”.

Carne aqui pode referir-se ao corpo físico ou à natureza pecaminosa.

Existem três interpretações básicas para o significado do espinho na carne de Paulo, e são as seguintes:

1. Se o termo carne é uma referência ao corpo, então o espinho pode ter sido uma doença, como dor de ouvido, de cabeça, problemas na vista, epilepsia ou febre crônica;

2. Se o termo carne é uma referência à natureza pecaminosa, então esse espinho pode ter sido algum tipo de tentação;

3. Se a expressão é figurativa, pode referir-se à perseguição ou às oposições.

A maioria dos comentaristas acredita que o espinho era ou uma doença (problema na vista, com base no texto de Gálatas 4:15, “Qual é, logo, a vossa bem-aventurança? Porque vos dou testemunho de que, se possível fora, arrancaríeis os vossos olhos, e mos daríeis”), ou inimigos, dado o contexto bíblico em que está inserido e a interpretação comum dos judeus para o termo espinho.

Há muitas especulações sobre o espinho na carne de Paulo. Alguns pensam que ele estava perdendo sua visão. Outros dizem que ele tinha uma dificuldade de falar, ou alguma forma de paralisia. O fato é que ninguém sabe o que era! Paulo não disse, e todas as nossas especulações nos deixarão ainda sem nenhuma resposta certa.

Mas há algumas coisas que podemos aprender aqui:

1. Precisamos admitir quando não sabemos.
A arrogância de alguns pastores e professores que parecem pensar que têm todas as respostas, até mesmo as coisas secretas de Deus:

“As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Deuteronômio 29:29).

"Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus" (1 Pedro 4:11).

Quando Deus fala, precisamos falar com confiança e com audácia. Quando Ele se cala, não ousemos ter a presunção de falar.

2.Precisamos entender que Deus pode dizer não.

Promessas tais como João 15:7 ("Pedireis o que quiserdes, e vos será feito") são frequentemente mal entendidas. Muitas pessoas acreditam e pregam que Deus dará tudo que pedimos. Mas outras passagens nos recordam que as orações precisam ser de acordo com a vontade de Deus, não com a nossa (1 João 5:14; Tiago 4:3).
O caso de Paulo mostra claramente que Deus pode dizer não ao pedido de um discípulo fiel. Quando não recebemos o que pedimos, isso não é necessariamente evidência de falta de fé. Pode simplesmente sugerir que Deus, em sua infinita sabedoria, decidiu que era melhor não conceder o pedido.

3.O povo de Deus sofre nesta vida.

A doutrina popular de que os justos são sempre abençoados e protegidos do sofrimento nesta vida é absurdo e falso. Paulo era dedicado como qualquer cristão e sofreu mais do que a maioria. Jesus nunca pecou, mas sofreu terrivelmente. Os pregadores de hoje que declaram que o sofrimento prova uma falta de fé estão condenando alguns dos maiores homens que viveram, entre eles Jó, Paulo e até mesmo o Filho de Deus!