PARÁBOLA DA FIGUEIRA INFRUTÍFERA

Esta parábola descreve a compaixão do Filho de Deus ao povo judeu, sua vontade em salvar este povo das desgraças que os esperavam.

Deus Pai, da mesma maneira que o dono da figueira, durante três anos das tarefas terrenas de seu Filho, esperava arrependimento e fé por parte do povo judeu. O Filho de Deus, como um bom e cuidadoso vinhateiro, pede ao Senhor que espere, enquanto ele tenta mais uma vez que a figueira frutifique — o povo judeu. Mas, seus esforços são em vão, portanto deu-se uma determinação ameaçadora: o repúdio de Deus àquelas pessoas que contrariaram-no insistentemente. A aproximação deste momento terrível fora mostrada por Cristo ao maldizer, alguns dias anteriormente à sua via crucis, a figueira estéril que crescia no caminho para Jerusalém.

"Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando. E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho; corta-a; por que ocupa ainda a terra inutilmente? E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a a este ano, até que eu a escave e a esterque; E, se der fruto, ficará, e, se não, depois a mandarás cortar". (Lucas13. 6-9).


PARÁBOLA DA GRANDE CEIA

"Porém, ele lhe disse: Um certo homem fez uma grande ceia, e convidou a muitos. E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados: Vinde, que já tudo está preparado.
E todos à uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e importa ir vê-lo; rogo-te que me hajas por escusado. E outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; rogo-te que me hajas por escusado. E outro disse: Casei, e portanto não posso ir. E, voltando aquele servo, anunciou estas coisas ao seu senhor. Então o pai de família, indignado, disse ao seu servo: Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade, e traze aqui os pobres, e aleijados, e mancos e cegos. E disse o servo: SENHOR, feito está como mandaste; e ainda há lugar. E disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e força-os a entrar, para que a minha casa se encha. Porque eu vos digo que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia." (Lucas 14.16-24).

Era no inverno, antes de sua morte, provavelmente na Judéia ou Peréia, e Jesus estava numa grande festa de Sabá, na casa de um chefe fariseu não nomeado. Ele curou um homem que sofria de uma debilitante doença do coração, desafiando qualquer um a objetar, mas os outros hóspedes, pessoas eminentes, fariseus e advogados, observando Jesus com um olhar crítico (Lucas 14:1), estavam evidente, singular e espantosamente desinteressados.

E ele os observava, também, notando quem estava lá (os convidados não foram pobres, nem necessitados) e como eles porfiavam pelos mais proeminentes assentos. Seus valores eram destorcidos por cobiça e egoísmo. Ele os advertiu que este tipo de autoexaltação conduziria a um fim humilhante, enquanto um espírito humilde traria, no mínimo, honra (Lucas 14.8-11). E instou com eles que se movessem além de sua cultura egoísta de um círculo apertado de parentes e vizinhos ricos e se procurassem distrair aqueles que, em sua necessidade, eram impotentes para retribuir (Lucas 14.12-14).

O “certo homem” da parábola que preparou uma grande festa é Deus. E a parábola nos relembra que a festa de amor e alegria que Deus deseja que partilhemos com Ele estará em preparação há muito tempo. É o “reino... preparado desde a fundação do mundo” (Mateus 25.34) e agora, na plenitude do tempo” (Gálatas 4.4), Deus veio viver entre seu povo e nos convida para vir regozijar com Ele! É a festa de todas as festas. Se você nunca esteve em outra ceia, esta é aquela que você não pode perder.

Contudo, os que foram convidados primeiro estão indiferentes! A parábola fala como, apesar de suas palavras, os escribas e fariseus valorizavam pouco o reino de Deus. Ela também explica porque Jesus era, muito frequentemente, encontrado entre pessoas muito diferentes deles: pobres e desesperados necessitados.

O reino de Deus é um reino de graça. Aqueles que sentem suas vidas plenas não terão lugar nem desejo pelo pão de Deus. Em sua afetada autossatisfação, eles, por outro lado, receberão o convite do céu com a alegria dos desesperados.

Uma resposta incrível

"E todos à uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e importa ir vê-lo; rogo-te que me hajas por escusado. E outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; rogo-te que me hajas por escusado. E outro disse: Casei, e portanto não posso ir." (Lucas 14.18-20).

A resposta dos vizinhos e amigos deste homem não é nem natural nem provável. As pessoas não rejeitam, no último minuto, um jantar preparado com grande despesa por um homem rico e importante para o prazer de seus amigos. Toda matéria de importância menor seria apagada do calendário e nada, salvo um “ato de Deus”, poderia mantê-los longe. Isto é exatamente como se tinham comportado aqueles convidados para a festa na qual eles e Jesus estavam agora sentados. Os hóspedes apreciavam a honra que lhes estava sendo feita e achavam os principais assentos como uma espécie de distinção especial. Eles não tiveram dúvida em vir a tempo e completamente preparados. É, portanto, inconcebível que quaisquer hóspedes assim convidados se escusassem. Era uma situação absurda e foi para revelá-la como tal que Jesus formulou esta parábola.

A situação na parábola correspondia exatamente à situação da nação de Israel. Os israelitas, como os homens da parábola, tinham sido avisados havia muito tempo, desde os profetas, da vinda do reino de Deus e como aqueles homens estavam sendo avisados de sua imediata aproximação pela pregação de João e de Jesus: “... está próximo o reino dos céus” (Mateus 3.2; 4.17). E, contudo, apesar de todo o seu suposto deleite naquele reino, quando o reino do céu chegou perto, eles estavam totalmente desinteressados em recebê-lo. De fato, como a situação presente demonstrou, eles poderiam sentar-se juntamente com seu próprio Rei e não sabê-lo!



PARÁBOLA DAS BODAS

Nesta parábola, Cristo trata da transferência do reino de Deus do povo judeu a outros povos, na qual, os "convidados" representam o povo judeu, e os servos — os apóstolos e pregadores da fé cristã. Da mesma maneira que os "convidados" não quiseram entrar no reino de Deus, a propagação da fé fora transferida "na encruzilhada" — a outros povos. Possivelmente, alguns destes povos não possuíam qualidades religiosas tão elevadas, contudo, manifestaram grande devoção nos serviços a Deus.

"O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho; e enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir. Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas. Eles, porém, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu tráfico; e os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram. E o rei, tendo notícia disto, encolerizou-se e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade. Então diz aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às saídas dos caminhos, e convidai para as bodas a todos os que encontrardes. E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial foi cheia de convidados. E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste de núpcias. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu. Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos." (Mateus 22.2-14).

Esta parábola não exige explicações especiais. Como sabemos a partir da história, o reino de Deus (Igreja) passou dos judeus aos povos pagãos, difundiu-se com êxito entre os povos do antigo império Romano, e iluminou-se na plêiade infinita dos fiéis a Deus.

O final da parábola dos convidados para as bodas, onde menciona-se o homem que não estava trajado com vestido de núpcias, parece um pouco obscuro. Para compreender esta passagem, deve-se conhecer os hábitos daquela época. Naqueles tempos, os reis, ao convidarem pessoas a uma festa, por exemplo, para uma festa de casamento de um filho do rei, ofertavam-lhes vestes próprias para que todos estivessem trajados de maneira limpa e bela durante o festejo. Mas, de acordo com a parábola, um dos convidados rejeitou o traje real, dando preferência às próprias vestes. Conforme se observa, ele fez isto por orgulho, considerando suas roupas melhores que as reais. Ao rejeitar as vestes reais, ele conturbou o bom andamento da festa e magoou o rei. Devido ao seu orgulho, foi enxotado da festa para as "trevas externas." Nas Escrituras Sagradas, as vestes simbolizavam o estado da consciência. Roupas claras, brancas, simbolizam a pureza e retidão da alma, que são ofertadas como dádivas de Deus, por sua misericórdia. O homem que rejeitou as vestes reais representa os cristãos orgulhosos que rejeitam a bem-aventurança e a consagração de Deus, ofertadas nos mistérios bem-aventurados da Igreja. A estes "fiéis" jactanciosos podemos comparar os modernos sectários que rejeitam a confissão, a comunhão, e outros meios bem-aventurados oferecidos por Cristo para a salvação das pessoas. Considerando-se santos, os sectários depreciam a importância da quaresma cristã, do celibato voluntário, da vida monástica, etc., apesar das Sagradas Escrituras ressaltarem estes feitos. Estes fiéis imaginários, como escreveu o apóstolo Paulo, "tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela" (2 Timóteo 3.5). Pois a força da piedade não está no exterior, e sim nos feitos pessoais.



PARÁBOLA DA PÉROLA DE GRANDE VALOR

Nessa parábola, Jesus usa como ilustração um negociante em busca de boas pérolas. Esse negociante, quando acha uma pérola de grande valor, vende todas as pérolas que tinha em mãos e compra a de grande valor, reconhecendo o altíssimo valor dela.

"Outrossim, o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas; e, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a." (Mateus 13.45,46).

A pérola de grande valor é o próprio Jesus Cristo e o seu reino. Antes de conhecer Jesus, olhamos nossa vida como se tivéssemos verdadeiras pérolas em nosso poder, mas quando reconhecemos o valor de Jesus Cristo, essa mentalidade muda, pois ele nos faz ver que as nossas “pérolas”, na realidade, não são tão valorosas como a que Ele nos oferece.

O grande desafio do ensino dessa parábola é o negociador (cada um de nós) saber reconhecer a pérola de grande valor, Jesus Cristo. Isso não é algo fácil, já que o negociador precisa reconhecer o valor da grande pérola e sacrificar suas outras “pérolas” por ela.

Temos o exemplo de um jovem que falhou em reconhecer o valor de Jesus Cristo. Ele até tinha boas intenções, mas quando Jesus o chamou para reconhecer que Ele, Jesus Cristo, tinha que ser a pérola de maior valor em sua vida, ele preferiu ficar com as outras de pequeno valor. “E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me. Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades.” (Marcos 10.21,22).

Porém, temos também pessoas que “venderam” tudo que tinham para fazer de Jesus Cristo sua única pérola valorosa. Uma dessas pessoas foi Paulo: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo.” (Filipenses 3.8).

Enquanto a parábola do tesouro escondido ilustra a experiência daqueles que encontram a verdade sem ter a intenção de buscá-la, a parábola da pérola representa os que desejam a verdade com sinceridade.



PARÁBOLA DO TESOURO ESCONDIDO

A bem-aventurança de Deus é este falso tesouro, comparado ao qual todas os bens materiais mostram-se insignificantes (ou um mero entulho, de acordo com a expressão do apóstolo Paulo). Entretanto, da mesma maneira que o homem não é capaz de dominar o tesouro, enquanto não vender suas propriedades para comprar o campo onde o mesmo está escondido, assim não se pode alcançar a bem-aventurança de Deus até que o homem decida doar seus bens terrenos. Pela bem-aventurança oferecida na Igreja, é necessário que o homem faça uma doação total: de suas ideias preconcebidas, do seu tempo livre e de sua tranquilidade, de seus êxitos e dos prazeres da vida. De acordo com a parábola, o homem que encontrou o tesouro, "escondeu-o" para que outros não o roubassem. De maneira análoga, o membro da Igreja, ao receber a bem-aventurança de Deus, deve conservá-la cuidadosamente em sua alma, sem vangloriar-se desta dádiva, para não perdê-la com sua soberba.

"Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo." (Mateus 13.44).

Esta parábola fala do entusiasmo e da felicidade vivenciada pelo homem quando seu coração é tocado pela bem-aventurança de Deus. Aquecido e iluminado com sua luz, o homem vê claramente toda a futilidade e insignificância dos bens materiais.
O reino dos céus é mais valioso do que qualquer outra coisa que possamos ter, e devemos estar dispostos a desistir de tudo para alcançá-lo.



PARÁBOLA DOS DOIS FILHOS

"Mas, que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha. Ele, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas depois, arrependendo-se, foi. E, dirigindo-se ao segundo, falou-lhe de igual modo; e, respondendo ele, disse: Eu vou, senhor; e não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram-lhe eles: O primeiro. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus. Porque João veio a vós no caminho da justiça, e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer." (Mateus 21.28-32).

Estas duas personalidades revelam perfeitamente as suas qualidades em suas palavras e ações. O primeiro filho, convidado pelo pai a trabalhar na sua vinha, disse que ia mas não foi. O segundo disse que não ia, mas foi. O primeiro é a personificação da crença (credo) sem obras; o segundo é o tipo do homem inteligente que, negando-se ao trabalho espiritual, depois de haver raciocinado e tirado suas conclusões, transformou o não em sim, não com a palavra abstrata, a crença, a obediência cega, mas por um esforço intelectual e pelas obras que deliberou fazer, “trabalhando na vinha”.

Ensina esta parábola que a vontade de Deus é que trabalhemos não só em proveito nosso, mas em proveito dos nossos semelhantes: ao passo que não é vontade de Deus crermos sem trabalho, isto é, cegamente, sem obras.

De fato, o que Jesus está ensinando é que dizer “sim” para algo, não necessariamente carrega a intenção de fazer alguma coisa, visto que esse simples “sim” não necessariamente trabalha para realizar a vontade do Pai, pela simples declaração de um “sim”.

Todo “sim” que não cria um “sim” na prática, é o mais horrendo de todos os “não”, visto que será “não” mesmo. Esses tais “sim” sempre serão negações, pela omissão que procrastina para sempre.

Quando eu digo “sim”, muitas vezes, estou apenas comprando tempo de esquecimento, pois, de fato, não tenho nenhuma disposição de fazer o que prometo. Isto porque nos “amém”, a gente cria uma falsa impressão de obediência, e que serve como encobrimento da real decisão de nada fazer.

Desse modo, Jesus está nos ensinando que um “não” verdadeiro carrega muito mais promessa verdadeira que um “sim” que apenas tentar desvia a atenção do “não” que não se tem coragem de falar.

Dizer um “sim” pode ser o veneno para cauterizar a consciência, e aniquilar o poder de um “sim-fato-obediência”.

Já um “não” honesto pode produzir, com a mesma força da negação, um arrependimento que se transforme num “sim” de ações, e que serão tão verdadeiras quanto a coragem do “não”.

Isto porque dizer “não” gera muito mais reflexão e possibilidade de real mudança da mente, pondo a pessoa no caminho de uma nova decisão, igualmente sincera.

Todavia, em todo “sim” fácil, existe o poder da dormência, e que não raramente deixa o “filho do sim” como um ser profundamente negativo na prática, visto que é no “não” que habita o poder do “amém”, do verdadeiro “sim”, quando o coração fica instigado pela própria força de uma convicção que muito rapidamente pode virar um “sim sem a palavra sim”.

O maior perigo de dizer “sim” é que ele anestesia a consciência, pois põe o “ser-sim” na ilusão de que sua confissão já é a coisa em si.

Dizer “sim” para Deus e não sair do lugar é o caminho para o cinismo e para o confessionismo que coloca o individuo no caminho da “desobediência submissa”.

Já dizer “não” pode colocar a pessoa na estrada do que é, mesmo que tenha assim se tornado pela via de uma posterior reflexão.



PARÁBOLA DO FARISEU E O PUBLICANO

"E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros: Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado." (Lucas 18.9-14).

Possivelmente, o fariseu descrito nesta parábola, não era má pessoa. Em todo caso, ele não fez mal a ninguém. Mas, conforme se pode observar a partir da parábola, ele também não realizou verdadeiras boas obras. Entretanto, ele cumpria rigorosamente os intrincados rituais religiosos, que até nem eram exigidos pelo Antigo Testamento. Realizando estes rituais, ele tinha um alto conceito acerca de si mesmo. Ele condenou a todos e só absolveu a si mesmo! (De acordo com as palavras de João, as pessoas com esta inclinação são incapazes de avaliar a si mesmas de maneira crítica, de arrepender-se e de começar uma vida autenticamente virtuosa. Sua essência moral está morta. Por várias vezes Jesus Cristo criticou severamente a hipocrisia dos fariseus e dos livreiros judeus. Entretanto, nesta parábola Cristo limitou-se simplesmente a uma advertência, de que "o publicano desceu justificado para sua casa, e não aquele (o fariseu)," ou seja: o arrependimento sincero do publicano fora aceito por Deus.



PARÁBOLA DA DRACMA PERDIDA

"Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma, não acende a candeia, não varre a casa e não a procura diligentemente até achá-la? Quando a tiver achado, reúne as suas amigas e vizinhas, dizendo: Regozijai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido." (Lucas 15.8-10).

Quando meditamos nos evangelhos, somos tantas vezes impactados com a manifestação do ministério de Jesus pelo Espírito de Deus. É poderoso como sua palavra permanece viva e atual, e ao nos dispormos em buscá-la, Deus continua nos ensinando, falando ao nosso coração; uma nova revelação salta aos nossos olhos em textos que já nos são familiares, e então somos surpreendidos com a graça renovada, dia após dia, em nossa direção.

No Evangelho de Lucas, encontramos três parábolas que Jesus propõe aos fariseus e líderes religiosos (escribas), logo após ser criticado por estes ao aproximar-se e assentar a mesa com os "publicanos e pecadores". São elas, a parábola da ovelha perdida, a dracma perdida e o filho pródigo. Especificamente esta parábola da dracma, somente é encontrada neste evangelho. As três parábolas tem o mesmo tema central, a restituição, encontrar o que havia se perdido, ou a redenção para nós, outrora pecadores, em Cristo Jesus (Colossenses 1.13) e o júbilo que há nos céus diante do filho perdido que agora foi encontrado.

O que chama a atenção neste texto inicialmente, é a ênfase que o Messias dá à atitude daquela mulher, que ao possuir dez dracmas, sendo surpreendida com a perda de uma delas, imediatamente põem-se a procurá-la. Perceba que Ele diz: “Ou qual é a mulher”, dando a entender que ele refere-se ao sentido de que todas as mulheres fariam à mesma coisa, teriam a mesma atitude, ou seja, qual mulher não faria isso? É uma pergunta.

Para esclarecermos esta indagação feita por Jesus, precisamos em primeiro lugar definirmos qual é o valor daquilo que esta sendo procurado. Quando perdemos algo que não tem valor, não nos importamos em achá-lo, mas se aquilo que sumiu possui grande valor, grande estima para nós, então imediatamente nos lançamos em sua busca.