A história de Jonas aconteceu mesmo?

O livro de Jonas tem sido com frequência desafiado quanto à sua credibilidade e valor histórico, por causa das aventuras espantosas que narra, a respeito do profeta de Gate-Hefer. Como pode um homem salvar-se da morte por afogamento mediante os bons ofícios de uma baleia (ou grande peixe), que o guardou em seu ventre com toda segurança durante três dias e, a seguir, vomitou-o na praia são e salvo? Como poderia uma cidade pagã tão grande como Nínive comover-se diante de um estrangeiro desconhecido, que lhe falou em língua estrangeira e ameaçou-a de destruição da parte de um Deus de quem nada sabia,de tal modo que todo o povo se pôs a chorar, jejuar e orar para que fossem poupados da terrível destruição.
Não deveríamos, portanto, tomar Jonas como um conto histórico com propósitos alegóricos, tencionando arrancar os judeus da Palestina do século V a.C. de suas ideias nacionalistas preconceituosas, próprias de uma mentalidade estreita, e encorajá-los a que evangelizassem nas nações pagãs ao seu redor?

O fato que não podemos explicar um evento bíblico não é motivo suficiente para descartá-lo como historicamente incorreto. A história inteira é apresentada no estilo de  narrativa de um fato. Jonas foi conhecido como uma pessoa histórica real na época em que Jeroboão II reinou em Israel:

“Também este restituiu os termos de Israel, desde a entrada de Hamate, até ao mar da planície; conforme a palavra do SENHOR Deus de Israel, a qual falara pelo ministério de seu servo Jonas, filho do profeta Amitai, o qual era de Gate-Hefer” (2 Reis 14:25).
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O testemunho mais significativo, porém, sobre a veracidade de Jonas vem de Jesus Cristo. Jesus usou o sinal de Jonas para predizer sua própria ressurreição:

“Então alguns dos escribas e dos fariseus tomaram a palavra, dizendo: Mestre, quiséramos ver da tua parte algum sinal. Mas ele lhes respondeu, e disse: Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o do profeta Jonas; pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra. Os ninivitas ressurgirão no juízo com esta geração, e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis que está aqui quem é mais do que Jonas. A rainha do meio-dia se levantará no dia do juízo com esta geração, e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que está aqui quem é maior do que Salomão” (Mateus 12:38-42).

Ele também disse que Jonas vivo foi um sinal que fez os ninivitas crerem, “E, ajuntando-se a multidão, começou a dizer: Maligna é esta geração; ela pede um sinal; e não lhe será dado outro sinal, senão o sinal do profeta Jonas; porquanto, assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, assim o Filho do homem o será também para esta geração” (Lucas 11:29-30), semelhante ao sinal que Jesus ofereceu quando ressurgiu dos mortos.

Este comentário nos ajuda a entender por que a pregação de Jonas teve tanto sucesso. Em poucos dias, ele converteu a cidade de Nínive inteira. Numa única geração, as testemunhas oculares do Cristo ressuscitado convenceram milhares de pessoas, através do mundo, que Jesus é, de fato, o Filho de Deus:

“Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro”
(Colossenses 1:23)

“E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória” (1 Timóteo 3:16).

A questão da confiabilidade do livro de Jonas toca num assunto maior. Muitas pessoas são ágeis em rejeitar coisas que não podem explicar racionalmente. Pessoas que se acham modernas e inteligentes demais para acreditar em tais milagres da Bíblia como a criação do mundo e a ressurreição de Cristo reduzem as Escrituras a um livro de orientação moral ambígua e diluída.

Mas se não reconhecermos o poder ilimitado daquele que nos fala na Bíblia, não teremos fé em seu poder para salvar e nenhum motivo para obedecer sua palavra. A conclusão simples: se Jonas não foi engolido por um grande peixe, então Jesus não ressurgiu dos mortos. Se Jesus não ressurgiu, não temos esperança de salvação: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” (1 Coríntios 15:17).

Todavia, se os habitantes de Nínive não se arrependeram e Jonas foi apenas um conto folclórico, aquele registro não podia envergonhar os judeus contemporâneos de Jesus, por causa de sua incredulidade. No entanto, Cristo tinha certeza de que tudo aquilo acontecera, segundo o relato do livro de Jonas. Portanto, seus verdadeiros seguidores também devem crer assim.